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06 de Setembro de 2010
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Não foi o mar que avançou, mas as construções
Fonte: Romero Mota - Jornalista Jaboatão em Foco Data: 12/03/2010

Orla de Candeias
Foto por: Jadson de Pádua
A preocupação das pessoas que habitam a orla de Jaboatão dos Guararapes vem aumentando nos últimos dez anos, período esse que mais se observou o avanço do mar na região, aumentando também o número de prédios atingidos pelo avanço do mar, trazendo insegurança e medo a toda população como é o caso da advogada Giselda Medeiros, 73 anos: "A gente tinha uma praia muito grande e larga. Mas hoje a muralha fica a dois metros do prédio. Isso me preocupa"

Apesar de essa preocupação ter aumentado muito depois dos últimos acontecimentos ocorridos no mundo como os terremotos ocorridos no Haiti e agora no Chile seguido de tsunamis estão deixando muitos moradores sem dormir.

Mesmo com a ocorrência cada vez mais frequente de catástrofes naturais e mudanças climáticas, a principal causa dos acontecimentos ocorridos em Jaboatão tem ligação direta com a falta de planejamento urbano. A proximidade com o mar é um dos pontos apontados pelos especialistas pelo processo de erosão que vem ocorrendo no local. Foi no fim da década de 1990 que a lei municipal nº 256 permitiu a concessão do direito real de uso da área da Avenida Beira Mar e, com isso, as edificações puderam ocupar o espaço da areia. Outra causa apontada pelos especialistas para o avanço do mar são os espigões. Um molhe (dique de pedra), construído em 1988 na foz do Rio Jaboatão, contribuiu, segundo os estudiosos, para o processo de erosão nas praias do município

O mar já derrubou postes e muros na orla. Em 2007, o edifício Ancoradouro, em Piedade, teve o muro derrubado pelas ondas, que chegaram a alcançar a piscina. Como medida emergencial, o município ampliou a área de enrocamento (pedras) aderente na praia. Em 2008, foi concluído o estudo de Monitoramento Ambiental Integrado (Mai) pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), que orienta sobre as obras de contenção. Além de Jaboatão, também fizeram parte do estudo a orla dos municípios do Recife, Olinda e Paulista.

Além de todos os acontecimentos ocorridos envolvendo o avanço do mar ser apontados pelos especialistas por conta de uma falha no planejamento urbano iniciada na década de 80, em relação ao perigo de a região ser atingida por algum tsunami ou terremoto é muito remota como bem explicou o geólogo e professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Gorki Mariano:
"Existe uma hipótese de que um vulcanismo muito intenso, nas Ilhas Canárias (Espanha), pudesse gerar um deslocamento de massa de água (tsunami) e atingir toda a costa. Mas isso é uma coisa que acontece a cada 20 mil, 30 mil anos. É uma chance muito remota", explicou. E acrescentou: "Se acontecesse, haveria tempo hábil para comunicação e para se tomar providências. Ninguém precisa deixar de dormir por causa disso. Saberíamos com horas de antecedência", afirmou.


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